quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Dia do Saci, também conhecido como "dia em que os 'Pachecos' resolvem atazanar quem gosta de Halloween"

Em contraposição ao Dia das Bruxas (ou Halloween, como é conhecido nos países de origem anglo-saxônica), os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Ângela Guadagnin (PT-SP) elaboraram em 2003 um projeto de lei federal com intuito de resgatar o folclore nacional: o Dia do Saci, que deve ser comemorado no dia 31 de outubro.

Dia do Saci, desculpa para a desvalorização do
folclore por parte de nós mesmos
Com o argumento de "proteger a cultura brasileira", a data apenas promove a xenofobia. É inadmissível que um país tão miscigenado como o nosso abra espaço para ideias tão absurdas e segregadoras como essa. Os defensores do nosso folclore deveriam é aprender com os festejos estrangeiros para, aí sim, difundir nossas tradições Brasil afora.

Mas não, preferem atazanar a vida de quem curte outras tradições que não sejam as tipicamente nacionais. É uma data onde os "Pachecos" fazem a festa! Vale uma explicação, antes que alguém com o sobrenome Pacheco venha me aloprar: durante a Copa do Mundo de 1982, a Gillette criou o personagem Pacheco, um torcedor fanático pela seleção brasileira. Com a sofrida derrota para a Itália de Paolo Rossi, o personagem "azarado" sumiu do mapa.

Pacheco, o brasileiro incondicional
De lá pra cá, "Pacheco" virou a alcunha de todos que torcem cegamente para a seleção brasileira. A expressão é mais usada no meio esportivo, mas dá pra usar paralelamente como apelido daquele "brasileiro, como muito orgulho, com muito amor", que acredita e torce pelo país mesmo quando não vale a pena.

Como disse antes, o brasileiro deveria aprender com o Halloween (e tantas outras comemorações importadas) para valorizar nossos próprias crendices. O dia 22 de agosto tá aí pra isso, comemorar o nosso folclore! Gostar de uma cultura que não seja a do seu país não pode ser considerado um ato de antipatriotismo.

"Escolhemos o dia 31 de outubro DE PROPÓSITO mesmo para marcar uma resistência a isso (Halloween) e dar mais importância ao que é nosso", disse o fundador da Sociedade dos Amigos do Saci, Mário Cândido, ao jornalista Márcio Padrão do BOL. Esse tipo de pensamento é triste. Querer espezinhar sobre uma outra comemoração apenas para sobrepujar a nossa é de uma mesquinharia absurda. Nós (brasileiros) podemos ser superiores. O brasileiro não tem o hábito de festejar as próprias lendas, por isso joga a responsabilidade do esquecimento das mesmas nos festejos estrangeiros.

Que o dia 31 de outubro seja uma data livre para que TODOS possam comemorar o que quiserem, não um festival de imposições culturais!